O alto preço pago pelos cariocas pelas obras viárias na Praça XI
Não foram baratos os custos financeiros e sociais pagos pelos cariocas com as obras viárias do Túnel Santa Bárbara e do Viaduto 31 de Março, que lhe dá continuidade, que “os nascidos ontem” estão propondo, simplesmente demolir. Alguns dados, retirados das notícias da época, merecem ser revisitados como uma lição histórica a ser compreendida, e talvez refletida – quem sabe -, pelos tomadores de decisão:
1. O trajeto viário fazia (e faz) parte de um projeto viário importante, a Linha Lilás. Ele remonta ao período rodoviarista dos anos 1940 e, pasmem, demorou 30 anos para ser concretizado. Foram três décadas de investimentos públicos e impactos sociais. Agora, a nova ideia é demolir o viaduto, e construir nova obra rodoviarista subterrânea, sem qualquer menção sobre dotar a região de transporte público de massa – uma extensão do metrô. Um retrocesso em matéria de planejamento urbano.
2. A obra foi inaugurada em 1979 pelo então prefeito Marcos Tamoyo. Portanto, tem pouco mais de 47 anos de existência, o que é muito pouco para uma obra dessa magnitude. A obra permitiu uma linha direta da Praia de Botafogo ao Santo Cristo, atravessando a Avenida Presidente Vargas, por cima desta, mas com alças viárias de descida.
3. A obra custou à época cerca de Cr$ 506 milhões de cruzeiros, o que, na moeda de hoje, representaria cerca de R$ 485 milhões de reais. Parte significativa desses recursos foi para fazer os viadutos e suas alças, programados para serem demolidos e descartados pela nova ideia (que chamam de projeto); isto, sem considerar que para construção um túnel subterrâneo em substituição, os recursos necessários serão muitíssimo mais elevados. O “novo” túnel, evidentemente, não só terá custo de construção muito mais elevado (até o momento, desconhecido por ausência de projeto básico para estimar minimamente o seu preço), como também exigirá despesas de manutenção muito maiores, ainda não quantificadas. Além disso, não foram apresentados o projeto, o cronograma físico-financeiro da obra nem a definição de responsabilidades em caso de fracasso operacional.
4. Finalmente, destaca-se que as obras do Viaduto 31 de Março exigiram a desapropriação de 529 unidades imobiliárias, de famílias que foram sacrificadas na região afetada pela obra. Agora, algumas décadas depois, com a pretensa demolição do jovem viaduto, pretende-se destinar estes terrenos a terceiros, incorporadores imobiliários, para gerar recursos e colocar, supostamente, novos e abastados moradores em espigões!
Faz algum sentido? Qual é o verdadeiro interesse público desta ideia incipiente, e carente de especificações técnicas condizentes com a magnitude da intervenção no tecido urbano?
Cabe, no momento, à Câmara de Vereadores explicar, mostrando dados e informações técnicas, já que o Executivo se eximiu de apresentar essas informações, e de discutir o projeto técnico, desde a sua concepção, com a sociedade.
Ou, melhor seria, a Câmara devolver ao Executivo a ideia, escrita no Projeto de Lei Complementar nº 92/2025, para que este, o Executivo, desenvolva, responsavelmente, o projeto urbanístico completo para a área, discutindo-o e debatendo-o com a sociedade carioca. Isto seria democracia e cidadania urbanística!



















